Para cada ladrão, um aviso
Aos poucos cada espaço vai sendo transformado num grande mural de avisos. Eles são de tamanhos variados, confeccionados com as mais diversas tecnologias, têm destinatários certos e objetivos bem definidos: esconjurar ladrões. Nas residências são comuns os avisos: “Cuidado com o cão.” Quando a situação se complica apela-se para o radical “Cerca eletrificada.” O ladrão pode simplesmente “engolir” a própria língua e partir “dessa-pra-melhor” num piscar de olhos. Mas tem também aqueles que são –digamos assim – mais “light”. Esses preferem o discreto “Sorria, você está sendo filmado”. Não seria melhor “roubado?”
Nos estabelecimentos comerciais, para pegar o ladrão de surpresa, os proprietários não colocam avisos. A intenção é flagrar o sujeito com a mão-na-massa. Câmeras com mil recursos tecnológicos estão “de olho” em cada movimento dentro das lojas. E nos bancos? Ah, nos bancos os gerentes têm o cuidado de avisar que os cofres ali só abrem no tempo devido. Nada de “forçar a barra”. Também as transportadoras de valores têm lá seus recursos. Não é incomum que em cada carro-forte venha a inscrição: “As chaves do cofre estão guardadas na empresa”. O texto pode nem ser exatamente esse, mas é parecido. Os detectores de metais também entram na lista de equipamentos de segurança. Bancos, empresas e shoppings centers não apenas contratam seguranças, como ainda instalam câmeras e obrigam o cliente a abrir bolsas, mostrar os metais e, às vezes, receber desaforos.
A neurose latropsicológica abre espaço ainda para os animais. Cães pitbul (aliás, inclua-se aí o próprio dono) guarnecem casas, lojas e ainda ameaçam crianças e adultos. Aliás, não tenho visto ou ouvido no noticiário qualquer referência a um pitbul que tenha “pego” algum ladrão. Será que o aviso de “Cuidado com o cão” é para crianças, mulheres e idosos? Não seria melhor: “Cuidado com o dono.” Nada demais se algum ladrão pular um muro e der de cara com um jacaré – ou quem sabe com um crocodilo. E se for com o abominável “Homem das Neves?” Ora, para afugentar ladrão tudo é válido. Como todos os avisos não têm surtido efeito, o jeito é mesmo apelar para a “boa vontade” do ladrão. Como apelou o cidadão: “Por favor, me venda o que me foi roubado, pois sei que o senhor não vai cobrar tão caro.”
A verdade é que com tantas câmeras posicionadas os bandidos têm se sentido verdadeiros astros. Lojas, bancos e ruas viraram “sets” de filmagens. Esses “atores” de “filmes da vida real” leem os avisos acima relacionados como se fossem simples “scripts”. Aliás, se encontrar algum ladrão na rua não esqueça de lhe pedir um autógrafo! E guarde-o. Quem sabe ele um dia não venha a ocupar um cargo importante, pois é um direito de cada cidadão pleiteá-lo.
E haja ação!
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